Muito se discute sobre a veracidade das lendas dos Orixás, principalmente no meio mais próximo ao africanismo. Bem, considerando veracidade como “fato histórico” é muito difícil levar em consideração tais fatos, não apenas pelo fantástico relatado, mas, principalmente, pelo tempo e modo de transmissão. Creio que todos já brincamos em algum momento da brincadeira chamada telefone sem fio. Se em questão de minutos e poucas pessoas qualquer mensagem se distorce, por vezes completamente, imaginem no caso das lendas, originárias por volta de 5000 anos no passado. Entretanto, antes que me acusem de questionar a utilidade das lendas, sou um defensor ferrenho da disseminação das mesmas, não só pela simples questão de manutenção da identidade cultural, mas, principalmente, do seu uso e entendimento como parábolas. Devemos contextualizar que a cultura yorubá, de onde vem a maior parte das lendas que conhecemos, não possuía registros escritos, e todos os ensinamentos eram passados de geração para geração de forma oral, através destas lendas. É importante apenas que entendamos que essas parábolas devem ser entendidas em sua essência, não consideradas de forma literal. Cada lenda desvenda parte do segredo de cada Orixá, das características, fundamentos e elementos de sua energia. Entendamos que a antroporfização das divindades era um recurso necessário para o entendimento em uma época onde não se tinha nenhum conhecimento de uma parte espiritual e nenhum suporte filosófico ou científico que permitisse maior abstração de idéias. Era, portanto, fundamental que as descrições tratassem de temas conhecidos para explicar os fenômenos. Porém, cabe a nós,hoje, compreender o que estava escondido por trás das alegorias que existem nestas histórias, que são riquíssimas e podem trazer entendimento valioso sobre os Orixás. É importante apenas que saibamos entender essas lendas como o que são de fato, sem fantasias sobre deuses rancorosos, lascivos e vingativos e, principalmente, sem usar isso como justificativa para os próprios atos negativos.
terça-feira, 2 de julho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
Empatia?
Essa semana ouvi um relato de um amigo que me fez pensar. Não que o mesmo já não tivesse ocorrido comigo, ou mesmo que já não houvesse visto acontecimentos semelhantes inúmeras vezes, mas realmente nunca tinha parado para pensar mais detidamente sobre o assunto, mas dessa vez aquilo bateu fundo. Não relatarei aqui em detalhes o ocorrido, até para preservar as partes envolvidas, mas creio que todos que vivenciam o meio espiritual já passaram por situação semelhante: o relacionamento com o médium é bom, a relação com os guias do médium também são boas. Ocorre alguma indisposição com o médium, todas as entidades lhe viram o rosto, ou, ainda pior, se tornam hostis. Alguém reconhece essa história? Pois é, imaginei isso mesmo. Fiquei pensando sobre isso, e é nesses momentos que a gente percebe o quanto de influência do médium pode “vazar” em uma incorporação, quando esta não é firme o bastante. Muitos poderiam alegar “empatia” dos Guias em relação ao médium, mas é muito importante entendermos que nossos Guias e Entidades estão MUITO acima dessas picuinhas terrenas, e jamais irão interferir nessas pequenices infantis, da mesma forma que nenhum pai irá interferir em uma discussão boba de crianças acerca de qual é o seu personagem favorito. Irão, muito pelo contrário, cobrar a postura mais reta possível do próprio aparelho, de resto deixarão que a Lei tenha seu curso. É inaceitável que uma Entidade, seja ela qual for, venha “tomar as dores” de seu aparelho, criando discórdia e desunião em função de questões mundanas. Mas como minimizar esse problema quando ocorre em nossa própria casa? Para isso temos que prosseguir até a causa raiz do problema, que é a falta de firmeza ou de passividade do médium. Ou seja, o médium está ativamente interferindo na comunicação. Tal situação pode ser tolerada no início do desenvolvimento mediúnico, justamente porque é nessa fase que se inicia o contato médium/entidade e há ainda muita dúvida na percepção de quem é quem, mas logo deve ser reprimida, para que fique claro para o médium que não é aceitável sua intervenção nas comunicações. Agora, muito mais séria é a situação se tal ocorre com médiuns já considerados “prontos” ou “firmes”, que já prestam auxílio à assistência, porque aí já são vidas que, se muitas vezes já chegam atormentadas, podem ser empurradas ainda mais ladeira abaixo. Nesse caso, interferência ativa é absolutamente inaceitável, e tem que ser tolhida no ato, dependendo do caso até mesmo suspendendo o médium dos atendimentos até que se reequilibre para voltar à prática da caridade, levando sempre em conta que o caso é o do médium caído, não o de má-fé. Esse tem que ser desligado imediatamente, por que ele não entendeu o que faz ali. Resumindo o enredo, só tem um nome para isso: “marmotagem”!
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
Cobrança
É muito comum que em algum momento da nossa caminha espiritual, algum Guia ou Entidade chegue, normalmente durante uma consulta, mas não necessariamente, e diga que há alguma cobrança sendo feita. Na maioria dos casos, um dado Orixá (ou vários) está cobrando um engambelo, oferenda ou mesmo um recolhimento. Mas no que consiste essa cobrança? Será que nossos Orixás realmente precisam tanto dessas oferendas que vêm nos cobrar, como se fossem funcionários das Casas Bahia? Se são tão adiantados e evoluídos, para que precisam tanto de nossa ajuda para conseguir os elementos? Bom, comecemos a responder por partes. Primeiramente, os Orixás, Falangeiros, Guias e Entidades NÃO PRECISAM de nenhuma oferenda, muito menos dependem de nós para o que quer que seja. Quem precisa delas, e das energias geradas e atraídas pelas oferendas somos nós! O que chamamos popularmente de cobrança são, na verdade, desequilíbrios energéticos que apresentamos, por motivos diversos, que são detectados pelos Guias e que, a partir disso, comunicam a necessidade de realizar tais rituais para que o equilíbrio do nosso corpo etéreo se reestabeleça. Temos que entender que o linguajar ritualístico da Umbanda tem que ser tal que seja facilmente compreendido, do ponto de vista prático, por qualquer um, independentemente de grau de escolaridade ou conhecimento acadêmico, até porque a maior parte da missão da Umbanda é justamente atender aos mais humildes, então quando utilizada a palavra “cobrança” fica muito mais patente a urgência e a necessidade de que dada obrigação seja realizada. Aliás, o próprio termo “obrigação” é comumente preferido a “oferenda” justamente pelo mesmo motivo: torna muito mais simples o entendimento que não é simplesmente um agrado, mas algo que deve ser feito, em benefício do próprio médium.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Oferendas
Uma das características mais universais das religiões de matriz africana são os popularmente chamados “despachos”. Os mesmos são também uma dos maiores motivos de queixa dos nossos detratores, pois que desperdiçam alimentos e outros elementos, e poluem os locais onde são deixados. Pois bem, estas são questões que vem sendo discutidas dentro da religião, mas o fato é que não podemos praticar nossa religião sem as nossas “obrigações” ou, termos que prefiro, “oferendas”. Mas para que servem? Porque as fazemos? É natural que a cultura popular, ao nos ver preparando alimentos e oferecendo-os aos Guias e Orixás imagine que a nossa intenção é que os mesmos as comam. Oras, mas se não possuem mais corpo material, de que serve? Não seria uma ignorância desperdiçar comida com os mortos enquanto tem tanta gente viva precisando? Pois é, seria sim SE fosse esse o caso. A questão é que na Umbanda tudo tem fundamento e significado, e com as oferendas não seria diferente. As oferendas são, na verdade, a forma de manipulação magística que caracteriza as religiões africanistas (e outras...), ou seja, é através delas, da manipulação dos alimentos e outros elementos que ali são colocados, que se dá a magia elemental e energética com a qual trabalhamos. Explico: tudo que existe, mas tudo mesmo, é formado de tal maneira que possui propriedades materiais, vibratórias, energéticas e magnéticas que, se combinadas e manipuladas adequadamente, criam verdadeiros centros energéticos poderosíssimos, que podem ser direcionados a determinados fins, de acordo com a afinidade vibratória. O objetivo mais comum é gerar as energias necessárias para equilibrar o corpo etéreo da pessoa que promove a oferenda e assim promover sua saúde física e mental. Há ainda as oferendas que visam mudar o campo vibratório (ou influenciá-lo) para que se alcance determinado fim. A questão principal a se entender aí é que, ao realizar uma oferenda, o que se faz é um procedimento que visa gerar uma energia específica em quantidade abundante, e essa energia é direcionada pelos Guias e Entidades para que a finalidade pretendida seja alcançada. Por isso é muito importante o conhecimento do QUE fazer, do COMO fazer e do QUANDO fazer, pois qualquer divergência altera a energia resultante, o que pode até mesmo torna-la inútil ou prejudicial. Além disso, é muito importante também o direcionamento firme da vontade e a mentalização, quando da execução da oferenda, pois que essa firmeza mental potencializa em muito os efeitos e possibilidades de qualquer oferenda, ou seja, no popular, se for pra fazer, que seja com fé, ou então nem faça.
Orixá de Umbanda ou Candomblé
Muito se discute sobre a diferença entre os Orixás “de Umbanda” e “de Candomblé”. Sim, com aspas, mas explico: já discutimos nesse blog a natureza etérea dos Orixás, ou seja, que o que chamamos de Orixá não são espíritos individuais como nós ou os guias, mas emanações da Luz Divina. Assim sendo, essa distinção começa a ruir, pois, considerando-nos monoteístas, como também já discutimos por aqui, seriam portanto os Orixás emanações de um mesmo Deus, sendo portanto os mesmos entre as religiões. Mas então porque tanta diferença? Há aí alguns pontos a considerar. O primeiro, e talvez mais importante, seja a questão das incorporações. Ou seja, não é que os Orixás em si sejam diferentes (até porque não os vemos ...), mas sim suas manifestações terrenas é que diferem. E aí, temos uma distorção muito comum, onde no Candomblé (como era também nos inícios da Umbanda) afirma-se que o médium recebe o próprio Orixá em sua coroa. Ora, temos aí duas idéias com as quais não consigo concordar:
- O próprio fenômeno da incorporação necessita de dois espíritos para acontecer: o comunicante e o médium. Sendo o Orixá uma emanação, uma força da natureza, ele NÃO PODE incorporar, pois não possui individualidade.
- É de uma arrogância incrível imaginar que poderíamos conter em nosso corpo material uma fagulha que fosse da Força Divina.
Partindo então, destes princípios, entendemos que nenhum humano incorpora nenhum Orixá. Aí você pergunta: “Ué, então estamos todos esquizofrênicos?” – Claro que não! O que acontece é que, já que para incorporar é necessário um espírito (tá bom, dois, mas o do médium está necessariamente ali, né?), não é difícil pressupormos que tem alguma categoria de espíritos “se passando” por Orixá. É o que conhecemos por Falangeiros. São espíritos evoluidíssimos, com nível de energia muito alto, e que se apresentam como representantes daquelas energias primárias. E um indicativo desse nível energético tão alto é que os Falangeiros raramente ficam muito tempo em terra, pois o desgaste do médium é muito grande para manter a comunicação.
“Ok, então chegamos à conlusão que na verdade incorporamos Falangeiros, e não Orixás. Mas isso ainda não explica a diferença entre as manifestações na Umbanda e no Candomblé”. Verdade, mas era importante esse conhecimento inicial para partirmos para o que acredito que seja o motivo real: o desenvolvimento. Uma vez que a presença do Falangeiro é, em essência, uma incorporação de um espírito, não há, exceto pela questão do nível de energia diferenciado, grande diferença entre essa e a incorporação de um Caboclo, por exemplo (podemos inclusive enxergar isso pela similaridade entre as incorporações de certos Caboclos e as dos Falangeiros de determinados Orixás), o que dá ao médium Umbandista grande vantagem no processo, pois que aprendeu durante todo o seu desenvolvimento a lidar com as energias envolvidas na incorporação. Já no Candomblé, não há desenvolvimento. O médium é recolhido e são feitos rituais que ativam e abres seus pontos de força (chakras) “na marra”. Assim, a comunicação é garantida, mas o médium ainda não tem a “manha” de como lidar com aquelas energias que tentam controlar sua matéria. Assim, durante o recolhimento, o médium é ensinado a fazer todos os passos, atos e danças que seu Orixá deve fazer quando incorporado, de modo a acostumar a matéria com aqueles movimentos. Só que isso, enquanto que torna o Candomblé mais vistoso para alguns, pois há sincronia de movimentos nas danças, toques e rodas, pois que todos aprendem os passos, também o torna muito menos espontâneo, pois que o médium não é ensinado a fazer o que o Orixá (sempre nos referindo ao Falangeiro, uma vez que está incorporado) quer fazer, mas apenas a dança ritualística padrão daquele Orixá. Na Umbanda, pelo tempo de desenvolvimento ser individual e irrestrito, cada médium tem o seu próprio ritmo de aprendizado, o que possibilita deixar as Entidades Guias e os próprios Falangeiros soltos para utilizar a matéria do médium como preferirem, deixando a coisa toda menos organizada, mas muito mais viva e, para mim, muito mais presente também, já que a dança “ensinada” nos cultos de nação acaba sendo forçada pelo médium sobre o Falangeiro, não deixando portanto de caracteriza uma interferência na incorporação, ao passo que o “laissez-faire” da Umbanda permite, com o desenvolvimento da passividade mediúnica, que o Falangeiro comande da forma como for mais conveniente. Resumindo tudo, o Orixá é sempre o mesmo, o que muda são os médiuns!
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Arquétipos
Um dos primeiros motes que levaram à criação da Umbanda foi o preconceito que era exercido dentro dos centros espíritas no que diz respeito às comunicações de espíritos que se apresentassem em quaisquer formas diferentes daquela que consideravam “evoluída”, ou seja, europeus (ou descendentes) que demonstrassem nível cultural (pelos padrões terrenos) adequado e aparentassem bom padrão social. Esse comportamento é compreensível quando do início da prática espírita, em plena Europa Iluminista, mas era inaceitável em uma terra cuja população era predominantemente mestiça e onde as culturas negra e indígena tinham já grande influência. De um ponto de vista reencarnacionista, é bastante simples compreender que um espírito comunicante, ao se apresentar sob determinada forma, o faz por sua vontade (desde que tenha evolução para tal), normalmente devido à afinidade que tem com as egrégoras e energias que lhe são afins, e não meramente porque esta foi a forma de sua última encarnação. Há, sem dúvida, irmãos em fase ainda tão inicial em sua caminhada que não tem ainda o controle necessário para plasmar sua forma conforme a vontade, mas a diferença entre estes deve ser notada principalmente pela mensagem, pelo que apresenta, e não pelo julgamento da aparência externa, que justamente por ser moldável, é o mais fraco dos parâmetros. E já na primeira comunicação da Umbanda, ainda sem nome e dentro de um centro espírita, o espírito elevadíssimo, que dentre tantas passagens terrenas fora um frei espanhol, escolhe a roupagem fluídica de índio para se apresentar e trazer ao planeta a religião de Umbanda que ali se iniciava.
No entanto, seria ainda muito simplista dizer que a apresentação dos espíritos, a escolha de sua roupagem, se dá meramente por sua vontade. Sempre se diz que a Umbanda tem fundamento, e a espiritualidade nada faz sem motivo. Assim, quando os pilares da nova religião foram definidos entre Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e Crianças, isso não se deu apenas por afinidade ou acaso, mas por estarem aí inclusos todos os símbolos necessários à missão que se apresentava. Primeiramente, para banir de vez o preconceito, foram abarcadas todas as raças que formaram o povo. Negros, índios e brancos, todos teriam coisas a ensinar, todos teriam difundido o seu conhecimento e visão de mundo, mostrando que, na verdade, todos são um só, e o caminho para a luz pode ter vários trajetos, mas apenas um fim. Além disso, as várias etapas da vida terrena, cada qual com sua virtude, estariam também ali presentes. As Crianças com sua alegria e inocência, sem temor diante da dificuldade. A disposição e agilidade do Caboclo, sempre movendo todas as energias necessárias e utilizando tudo ao seu redor para que os objetivos possam ser alcançados. A seriedade do Exu, não medindo esforços para que a Lei seja cumprida, sem pena e sem questionamentos. E a humildade e paciência infinitas dos Pretos-Velhos, que em sua sabedoria tem sempre os conselhos necessários e os atalhos para facilitar o nosso caminho por entre as dificuldades. Tudo tem sua função, todas de igual importância, para que sempre lembremos disso: somos todos iguais aos olhos do Pai.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Politeísta?
Uma das grandes dúvidas que se apresenta a quem chega à Umbanda é sua suposta condição politeísta. Aí você me diz: “Mas como assim suposta? Não temos os nossos Orixás?”. Sim, claro que sim, a questão aí é a conceituação de divindade. O conceito africano de Orixá, e que é assim também entendido no Candomblé, é o de que seriam ancestrais divinizados. Assim sendo, cada tribo, aldeia ou agrupamento familiar teria o seu próprio Orixá, cultuado por aquele grupo geração após geração, o que explica o imenso número de Orixás que recebiam culto em solo africano (a maioria dos estudos sugere algo em torno de 400). Com a vinda dos africanos para as Américas, na condição de escravos, foi necessário adaptar seu culto, pois que os grupos eram desmembrados na venda aos senhores, com o objetivo de coibir possíveis rebeliões. A saída encontrada foi desenvolver um culto que louvasse a todos aqueles ancestrais em conjunto, e com isso foram, por afinidade, se agrupando os ancestrais tribais em grandes subgrupos, que mantiveram o nome de Orixás. Esse passo foi muito importante no sentido de tornar o culto menos individualizado e mais voltado às forças da natureza comandadas por cada Orixá, uma vez que esta prática favorecia o caráter coletivo de cada grupo de culto. Quando do advento da Umbanda, coube à espiritualidade tornar a figura do Orixá ainda mais sutil, representando um raio do poder infinito de Deus (Zambi, Olorum, Obatalá ou qualquer outro nome que seja usado é apenas mais uma denominação para o Criador), uma força, um elemento da natureza. E assim, na Umbanda, todos os ancestrais, elementais e forças da natureza que se afinizam com as matas e a caça (que simboliza a prosperidade) passaram a ser cultuadas como Oxóssi, as que se afinizam com a justiça e a firmeza de propósito se reuniram em Xangô, e assim por diante. Deste modo, não fica difícil entender porque podemos dizer com tranquilidade que a Umbanda é sim uma religião monoteísta, mas que cultua a divindade em todas as suas expressões naturais, buscando a harmonia e a sintonia com os planos superiores.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Caridade na Umbanda
Não poderia haver maneira mais adequada de iniciar um estudo sobre a Umbanda do que falando sobre caridade. A própria Umbanda, no momento do seu advento, foi definida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como a “manifestação do espírito para a caridade”. Podemos entender então que todo trabalho realizado sob a bandeira de Oxalá é, ou ao menos deveria ser, voltado à prática da caridade. Mas o que é caridade do ponto de vista umbandista? A sociedade moderna nos acostumou a entender caridade como um ato material, seja em uma simples esmola, ou na doação de comida, roupas, calçados, brinquedos ou mesmo dinheiro. Entretanto não seria razoável esperar que uma religião calcada na espiritualidade tivesse mais a oferecer do que meramente benefício material? E assim, de fato, é. A prática da caridade nas tendas e centros tem como principal objetivo o amparo espiritual aos irmãos que os procuram, e a partir disso promover a evolução de todos os envolvidos. Sim, porque tanto auxiliado (e eventuais “amigos” que o acompanham) quanto o médium que o auxilia (e seus protetores) estarão dando mais um passo na direção da luz. Notem que não venho desmerecer as obras caritativas de ordem material, que certamente são de grande importância e tornam muitas jornadas terrenas mais brandas, mas convenhamos que não haveria aí necessidade da manifestação dos espíritos, e, por conseguinte, nem de Umbanda. O diferencial do trabalho espiritual é justamente a possibilidade de auxílio moral e extra físico, inicialmente limpando e equilibrando energeticamente o consulente, e depois orientando-o no caminho da espiritualidade maior. E não podemos menosprezar também o grande serviço realizado por nossos mentores no combate ao astral inferior e na condução de nossos irmãos desencarnados que se encontram caídos ao caminho da luz.
Podemos dividir os trabalhos de caridade em três grandes grupos:
- Consultas
- Limpezas
- Cura
As consultas têm o objetivo principal de orientar o irmão que ali se encontra nas dúvidas e dilemas que se apresentam em sua jornada terrestre. O caráter da consulta é, quase sempre, de orientação moral, porém é também nessa hora que os guias e protetores podem detectar qualquer desequilíbrio que possa estar afligindo o consulente, e receitando o que for necessário para a sua melhora, sejam banhos, oferendas ou a realização de outros rituais mais específicos. Infelizmente ainda são muitos os que procuram as casas de Umbanda no intuito de conseguir vantagens materiais, amarrações ou prejudicar quem quer que seja. É de suma importância que, a cada oportunidade, lembremos: nada disso é Umbanda!
Os rituais de limpeza podem se dar de várias formas, mas os mais frequentes são os banhos, os passes (individuais ou nas “correntes”) e, em casos mais complicados, os chamados “descarregos” ou “sacudimentos”, onde diversos elementos poderão ser utilizados com a finalidade de limpar o corpo etéreo do filho de fé e equilibrá-lo energeticamente, retirando todos os miasmas, larvas espirituais e mesmo espíritos obsessores que estejam acoplados à sua aura.
Por fim, os trabalhos de cura, que podem incluir passes, oferendas, banhos e diversos outros tipos de ritual, com a finalidade de, a partir da manipulação dos corpos energéticos, alcançar a melhora, ou mesmo a cura total, do corpo físico do indivíduo. É fundamental, no entanto, lembrar sempre que, embora o tratamento de cura espiritual seja um auxílio que pode, sim, mediante o merecimento e a missão kármica de cada um, promover a cura do corpo físico, nunca se deve abandonar a medicina convencional das enfermidades, pois que cada um tem sua missão na terra que pode incluir a prova do tratamento físico da doença.
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