quarta-feira, 5 de junho de 2013

Oferendas

Pade de Exu

Uma das características mais universais das religiões de matriz africana são os popularmente chamados “despachos”. Os mesmos são também uma dos maiores motivos de queixa dos nossos detratores, pois que desperdiçam alimentos e outros elementos, e poluem os locais onde são deixados. Pois bem, estas são questões que vem sendo discutidas dentro da religião, mas o fato é que não podemos praticar nossa religião sem as nossas “obrigações” ou, termos que prefiro, “oferendas”. Mas para que servem? Porque as fazemos? É natural que a cultura popular, ao nos ver preparando alimentos e oferecendo-os aos Guias e Orixás imagine que a nossa intenção é que os mesmos as comam. Oras, mas se não possuem mais corpo material, de que serve? Não seria uma ignorância desperdiçar comida com os mortos enquanto tem tanta gente viva precisando? Pois é, seria sim SE fosse esse o caso. A questão é que na Umbanda tudo tem fundamento e significado, e com as oferendas não seria diferente. As oferendas são, na verdade, a forma de manipulação magística que caracteriza as religiões africanistas (e outras...), ou seja, é através delas, da manipulação dos alimentos e outros elementos que ali são colocados, que se dá a magia elemental e energética com a qual trabalhamos. Explico: tudo que existe, mas tudo mesmo, é formado de tal maneira que possui propriedades materiais, vibratórias, energéticas e magnéticas que, se combinadas e manipuladas adequadamente, criam verdadeiros centros energéticos poderosíssimos, que podem ser direcionados a determinados fins, de acordo com a afinidade vibratória. O objetivo mais comum é gerar as energias necessárias para equilibrar o corpo etéreo da pessoa que promove a oferenda e assim promover sua saúde física e mental. Há ainda as oferendas que visam mudar o campo vibratório (ou influenciá-lo) para que se alcance determinado fim. A questão principal a se entender aí é que, ao realizar uma oferenda, o que se faz é um procedimento que visa gerar uma energia específica em quantidade abundante, e essa energia é direcionada pelos Guias e Entidades para que a finalidade pretendida seja alcançada. Por isso é muito importante o conhecimento do QUE fazer, do COMO fazer e do QUANDO fazer, pois qualquer divergência altera a energia resultante, o que pode até mesmo torna-la inútil ou prejudicial. Além disso, é muito importante também o direcionamento firme da vontade e a mentalização, quando da execução da oferenda, pois que essa firmeza mental potencializa em muito os efeitos e possibilidades de qualquer oferenda, ou seja, no popular, se for pra fazer, que seja com fé, ou então nem faça.

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