terça-feira, 2 de julho de 2013

Lendas de Orixás

griot585



Muito se discute sobre a veracidade das lendas dos Orixás, principalmente no meio mais próximo ao africanismo. Bem, considerando veracidade como “fato histórico” é muito difícil levar em consideração tais fatos, não apenas pelo fantástico relatado, mas, principalmente, pelo tempo e modo de transmissão. Creio que todos já brincamos em algum momento da brincadeira chamada telefone sem fio. Se em questão de minutos e poucas pessoas qualquer mensagem se distorce, por vezes completamente, imaginem no caso das lendas, originárias por volta de 5000 anos no passado. Entretanto, antes que me acusem de questionar a utilidade das lendas, sou um defensor ferrenho da disseminação das mesmas, não só pela simples questão de manutenção da identidade cultural, mas, principalmente, do seu uso e entendimento como parábolas. Devemos contextualizar que a cultura yorubá, de onde vem a maior parte das lendas que conhecemos, não possuía registros escritos, e todos os ensinamentos eram passados de geração para geração de forma oral, através destas lendas. É importante apenas que entendamos que essas parábolas devem ser entendidas em sua essência, não consideradas de forma literal. Cada lenda desvenda parte do segredo de cada Orixá, das características, fundamentos e elementos de sua energia. Entendamos que a antroporfização das divindades era um recurso necessário para o entendimento em uma época onde não se tinha nenhum conhecimento de uma parte espiritual e nenhum suporte filosófico ou científico que permitisse maior abstração de idéias. Era, portanto, fundamental que as descrições tratassem de temas conhecidos para explicar os fenômenos. Porém, cabe a nós,hoje, compreender o que estava escondido por trás das alegorias que existem nestas histórias, que são riquíssimas e podem trazer entendimento valioso sobre os Orixás. É importante apenas que saibamos entender essas lendas como o que são de fato, sem fantasias sobre deuses rancorosos, lascivos e vingativos e, principalmente, sem usar isso como justificativa para os próprios atos negativos.

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