Uma das grandes dúvidas que se apresenta a quem chega à Umbanda é sua suposta condição politeísta. Aí você me diz: “Mas como assim suposta? Não temos os nossos Orixás?”. Sim, claro que sim, a questão aí é a conceituação de divindade. O conceito africano de Orixá, e que é assim também entendido no Candomblé, é o de que seriam ancestrais divinizados. Assim sendo, cada tribo, aldeia ou agrupamento familiar teria o seu próprio Orixá, cultuado por aquele grupo geração após geração, o que explica o imenso número de Orixás que recebiam culto em solo africano (a maioria dos estudos sugere algo em torno de 400). Com a vinda dos africanos para as Américas, na condição de escravos, foi necessário adaptar seu culto, pois que os grupos eram desmembrados na venda aos senhores, com o objetivo de coibir possíveis rebeliões. A saída encontrada foi desenvolver um culto que louvasse a todos aqueles ancestrais em conjunto, e com isso foram, por afinidade, se agrupando os ancestrais tribais em grandes subgrupos, que mantiveram o nome de Orixás. Esse passo foi muito importante no sentido de tornar o culto menos individualizado e mais voltado às forças da natureza comandadas por cada Orixá, uma vez que esta prática favorecia o caráter coletivo de cada grupo de culto. Quando do advento da Umbanda, coube à espiritualidade tornar a figura do Orixá ainda mais sutil, representando um raio do poder infinito de Deus (Zambi, Olorum, Obatalá ou qualquer outro nome que seja usado é apenas mais uma denominação para o Criador), uma força, um elemento da natureza. E assim, na Umbanda, todos os ancestrais, elementais e forças da natureza que se afinizam com as matas e a caça (que simboliza a prosperidade) passaram a ser cultuadas como Oxóssi, as que se afinizam com a justiça e a firmeza de propósito se reuniram em Xangô, e assim por diante. Deste modo, não fica difícil entender porque podemos dizer com tranquilidade que a Umbanda é sim uma religião monoteísta, mas que cultua a divindade em todas as suas expressões naturais, buscando a harmonia e a sintonia com os planos superiores.
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