quarta-feira, 5 de junho de 2013

Orixá de Umbanda ou Candomblé

xire

Muito se discute sobre a diferença entre os Orixás “de Umbanda” e “de Candomblé”. Sim, com aspas, mas explico: já discutimos nesse blog a natureza etérea dos Orixás, ou seja, que o que chamamos de Orixá não são espíritos individuais como nós ou os guias, mas emanações da Luz Divina. Assim sendo, essa distinção começa a ruir, pois, considerando-nos monoteístas, como também já discutimos por aqui, seriam portanto os Orixás emanações de um mesmo Deus, sendo portanto os mesmos entre as religiões. Mas então porque tanta diferença? Há aí alguns pontos a considerar. O primeiro, e talvez mais importante, seja a questão das incorporações. Ou seja, não é que os Orixás em si sejam diferentes (até porque não os vemos ...), mas sim suas manifestações terrenas é que diferem. E aí, temos uma distorção muito comum, onde no Candomblé (como era também nos inícios da Umbanda) afirma-se que o médium recebe o próprio Orixá em sua coroa. Ora, temos aí duas idéias com as quais não consigo concordar:

- O próprio fenômeno da incorporação necessita de dois espíritos para acontecer: o comunicante e o médium. Sendo o Orixá uma emanação, uma força da natureza, ele NÃO PODE incorporar, pois não possui individualidade.

- É de uma arrogância incrível imaginar que poderíamos conter em nosso corpo material uma fagulha que fosse da Força Divina.

Partindo então, destes princípios, entendemos que nenhum humano incorpora nenhum Orixá. Aí você pergunta: “Ué, então estamos todos esquizofrênicos?” – Claro que não! O que acontece é que, já que para incorporar é necessário um espírito (tá bom, dois, mas o do médium está necessariamente ali, né?), não é difícil pressupormos que tem alguma categoria de espíritos “se passando” por Orixá. É o que conhecemos por Falangeiros. São espíritos evoluidíssimos, com nível de energia muito alto, e que se apresentam como representantes daquelas energias primárias. E um indicativo desse nível energético tão alto é que os Falangeiros raramente ficam muito tempo em terra, pois o desgaste do médium é muito grande para manter a comunicação.

“Ok, então chegamos à conlusão que na verdade incorporamos Falangeiros, e não Orixás. Mas isso ainda não explica a diferença entre as manifestações na Umbanda e no Candomblé”. Verdade, mas era importante esse conhecimento inicial para partirmos para o que acredito que seja o motivo real: o desenvolvimento. Uma vez que a presença do Falangeiro é, em essência, uma incorporação de um espírito, não há, exceto pela questão do nível de energia diferenciado, grande diferença entre essa e a incorporação de um Caboclo, por exemplo (podemos inclusive enxergar isso pela similaridade entre as incorporações de certos Caboclos e as dos Falangeiros de determinados Orixás), o que dá ao médium Umbandista grande vantagem no processo, pois que aprendeu durante todo o seu desenvolvimento a lidar com as energias envolvidas na incorporação. Já no Candomblé, não há desenvolvimento. O médium é recolhido e são feitos rituais que ativam e abres seus pontos de força (chakras) “na marra”. Assim, a comunicação é garantida, mas o médium ainda não tem a “manha” de como lidar com aquelas energias que tentam controlar sua matéria. Assim, durante o recolhimento, o médium é ensinado a fazer todos os passos, atos e danças que seu Orixá deve fazer quando incorporado, de modo a acostumar a matéria com aqueles movimentos. Só que isso, enquanto que torna o Candomblé mais vistoso para alguns, pois há sincronia de movimentos nas danças, toques e rodas, pois que todos aprendem os passos, também o torna muito menos espontâneo, pois que o médium não é ensinado a fazer o que o Orixá (sempre nos referindo ao Falangeiro, uma vez que está incorporado) quer fazer, mas apenas a dança ritualística padrão daquele Orixá. Na Umbanda, pelo tempo de desenvolvimento ser individual e irrestrito, cada médium tem o seu próprio ritmo de aprendizado, o que possibilita deixar as Entidades Guias e os próprios Falangeiros soltos para utilizar a matéria do médium como preferirem, deixando a coisa toda menos organizada, mas muito mais viva e, para mim, muito mais presente também, já que a dança “ensinada” nos cultos de nação acaba sendo forçada pelo médium sobre o Falangeiro, não deixando portanto de caracteriza uma interferência na incorporação, ao passo que o “laissez-faire” da Umbanda permite, com o desenvolvimento da passividade mediúnica, que o Falangeiro comande da forma como for mais conveniente. Resumindo tudo, o Orixá é sempre o mesmo, o que muda são os médiuns!

Nenhum comentário:

Postar um comentário