Não poderia haver maneira mais adequada de iniciar um estudo sobre a Umbanda do que falando sobre caridade. A própria Umbanda, no momento do seu advento, foi definida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como a “manifestação do espírito para a caridade”. Podemos entender então que todo trabalho realizado sob a bandeira de Oxalá é, ou ao menos deveria ser, voltado à prática da caridade. Mas o que é caridade do ponto de vista umbandista? A sociedade moderna nos acostumou a entender caridade como um ato material, seja em uma simples esmola, ou na doação de comida, roupas, calçados, brinquedos ou mesmo dinheiro. Entretanto não seria razoável esperar que uma religião calcada na espiritualidade tivesse mais a oferecer do que meramente benefício material? E assim, de fato, é. A prática da caridade nas tendas e centros tem como principal objetivo o amparo espiritual aos irmãos que os procuram, e a partir disso promover a evolução de todos os envolvidos. Sim, porque tanto auxiliado (e eventuais “amigos” que o acompanham) quanto o médium que o auxilia (e seus protetores) estarão dando mais um passo na direção da luz. Notem que não venho desmerecer as obras caritativas de ordem material, que certamente são de grande importância e tornam muitas jornadas terrenas mais brandas, mas convenhamos que não haveria aí necessidade da manifestação dos espíritos, e, por conseguinte, nem de Umbanda. O diferencial do trabalho espiritual é justamente a possibilidade de auxílio moral e extra físico, inicialmente limpando e equilibrando energeticamente o consulente, e depois orientando-o no caminho da espiritualidade maior. E não podemos menosprezar também o grande serviço realizado por nossos mentores no combate ao astral inferior e na condução de nossos irmãos desencarnados que se encontram caídos ao caminho da luz.
Podemos dividir os trabalhos de caridade em três grandes grupos:
- Consultas
- Limpezas
- Cura
As consultas têm o objetivo principal de orientar o irmão que ali se encontra nas dúvidas e dilemas que se apresentam em sua jornada terrestre. O caráter da consulta é, quase sempre, de orientação moral, porém é também nessa hora que os guias e protetores podem detectar qualquer desequilíbrio que possa estar afligindo o consulente, e receitando o que for necessário para a sua melhora, sejam banhos, oferendas ou a realização de outros rituais mais específicos. Infelizmente ainda são muitos os que procuram as casas de Umbanda no intuito de conseguir vantagens materiais, amarrações ou prejudicar quem quer que seja. É de suma importância que, a cada oportunidade, lembremos: nada disso é Umbanda!
Os rituais de limpeza podem se dar de várias formas, mas os mais frequentes são os banhos, os passes (individuais ou nas “correntes”) e, em casos mais complicados, os chamados “descarregos” ou “sacudimentos”, onde diversos elementos poderão ser utilizados com a finalidade de limpar o corpo etéreo do filho de fé e equilibrá-lo energeticamente, retirando todos os miasmas, larvas espirituais e mesmo espíritos obsessores que estejam acoplados à sua aura.
Por fim, os trabalhos de cura, que podem incluir passes, oferendas, banhos e diversos outros tipos de ritual, com a finalidade de, a partir da manipulação dos corpos energéticos, alcançar a melhora, ou mesmo a cura total, do corpo físico do indivíduo. É fundamental, no entanto, lembrar sempre que, embora o tratamento de cura espiritual seja um auxílio que pode, sim, mediante o merecimento e a missão kármica de cada um, promover a cura do corpo físico, nunca se deve abandonar a medicina convencional das enfermidades, pois que cada um tem sua missão na terra que pode incluir a prova do tratamento físico da doença.
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