quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Influência ou imitação?



É cena muito comum em qualquer terreiro: o médium novo, ainda no início do seu desenvolvimento, apresenta incorporações bastante “semelhantes” às das entidades que trabalham em irmãos mais antigos, já firmes na casa. Esse problema, apesar de poder trazer incômodo e mal estar em um primeiro momento, não deve ser visto como severo nestas fases iniciais do processo. Nas fases iniciais do desenvolvimento mediúnico o médium se encontra ainda muito “presente” dentro da incorporação, manifestando muito de si. Sabendo disso, é normal que ele externe comportamentos, tanto no gestual quanto na maneira de se portar em si, que ele considera corretos, e os conceitos de certo/errado vêm muito da observação dos irmãos já mais preparados e do próprio zelador da casa. Com o tempo e a maior influência dos guias, isso vai se diluindo até que a postura do guia que trabalha com o médium se imponha, demonstrando que o médium já avançou mais uma etapa em seu processo de aprendizado.

Essa influência, contudo, pode se tornar perniciosa se não for extinta logo nessa fase inicial. Por isso é fundamental o acompanhamento de perto dos médiuns em desenvolvimento, para que essas arestas sejam percebidas e, se necessário, aparadas a tempo. A não observância pode levar a um processo anímico de sobreposição do médium ao guia para obrigar certas atitudes que estão enraizadas em sua cabeça, mas que não fazem parte do trabalho daquele guia. Essa sobreposição retira o médium da passividade mediúnica necessária ao bom trabalho espiritual, e isso pode ter consequências muito mais sérias do que um mero gesto ou brado imitado, levando até a erros no atendimento aos consulentes que podem ter sérias implicações.


Mais sério que isso é quando o comportamento surge no médium já mais tarimbado. De repente o caboclo que desce há anos do mesmo modo começa a aparecer diferente, e estranhamente parecido com um outro da corrente. Aí o panorama já é totalmente diferente. O médium deve ser chamado a conversar para que o zelador externe sua preocupação e reforce junto ao médium a necessidade da passividade mediúnica. A entidade deve também ser cobrada, sendo solicitado seu ponto riscado e cantado para confirmação. Claro que, com o tempo, o médium pode aprender os pontos, mas a realização dos mesmos acaba por fortalecer energeticamente o laço do guia com o médium, e chama a atenção deste de que algo pode não estar correndo da melhor maneira.

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