É cena muito comum em qualquer terreiro: o médium novo,
ainda no início do seu desenvolvimento, apresenta incorporações bastante “semelhantes”
às das entidades que trabalham em irmãos mais antigos, já firmes na casa. Esse
problema, apesar de poder trazer incômodo e mal estar em um primeiro momento, não
deve ser visto como severo nestas fases iniciais do processo. Nas fases
iniciais do desenvolvimento mediúnico o médium se encontra ainda muito “presente”
dentro da incorporação, manifestando muito de si. Sabendo disso, é normal que
ele externe comportamentos, tanto no gestual quanto na maneira de se portar em
si, que ele considera corretos, e os conceitos de certo/errado vêm muito da
observação dos irmãos já mais preparados e do próprio zelador da casa. Com o
tempo e a maior influência dos guias, isso vai se diluindo até que a postura do
guia que trabalha com o médium se imponha, demonstrando que o médium já avançou
mais uma etapa em seu processo de aprendizado.
Essa influência, contudo, pode se tornar perniciosa se não
for extinta logo nessa fase inicial. Por isso é fundamental o acompanhamento de
perto dos médiuns em desenvolvimento, para que essas arestas sejam percebidas
e, se necessário, aparadas a tempo. A não observância pode levar a um processo
anímico de sobreposição do médium ao guia para obrigar certas atitudes que
estão enraizadas em sua cabeça, mas que não fazem parte do trabalho daquele
guia. Essa sobreposição retira o médium da passividade mediúnica necessária ao
bom trabalho espiritual, e isso pode ter consequências muito mais sérias do que
um mero gesto ou brado imitado, levando até a erros no atendimento aos
consulentes que podem ter sérias implicações.
Mais sério que isso é quando o comportamento surge no médium
já mais tarimbado. De repente o caboclo que desce há anos do mesmo modo começa
a aparecer diferente, e estranhamente parecido com um outro da corrente. Aí o
panorama já é totalmente diferente. O médium deve ser chamado a conversar para
que o zelador externe sua preocupação e reforce junto ao médium a necessidade
da passividade mediúnica. A entidade deve também ser cobrada, sendo solicitado
seu ponto riscado e cantado para confirmação. Claro que, com o tempo, o médium
pode aprender os pontos, mas a realização dos mesmos acaba por fortalecer
energeticamente o laço do guia com o médium, e chama a atenção deste de que
algo pode não estar correndo da melhor maneira.

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